As companhias têxteis, de vestuário e calçados encerraram o primeiro semestre do ano com crescimento acima da média na B3 (ex-BM&FBovespa), acompanhando o seu desempenho também acima da média do varejo total.

De acordo com dados do Valor Data, no primeiro semestre do ano, as ações das dez empresas do setor - Renner, Marisa, Riachuelo, Cia. Hering, Restoque, Alpargatas, Grendene, Springs Global, Vulcabras Azaleia e Teka - tiveram valorização média de 55,3%.

Somado, o valor de mercado das dez companhias subiu R$ 13,2 bilhões no período, passando de R$ 33,7 bilhões em dezembro de 2016 para R$ 46,9 bilhões em junho deste ano.

Os maiores ganhos em valores absolutos foram da Renner. A companhia teve uma valorização de R$ 4,6 bilhões, encerrando o primeiro semestre com valor de mercado de R$ 19,5 bilhões.

Em seguida está a Riachuelo, com ganho de R$ 2,45 bilhões no período. A Grendene ampliou seu valor de mercado em R$ 2,42 bilhões. A Alpargatas registrou uma valorização de R$ 1,92 bilhão. Entre as companhias, a única que perdeu valor de mercado no primeiro semestre foi a Marisa, de R$ 169 milhões. Suas ações tiveram queda de 13,90%.

As expectativas do setor de moda apontavam para uma recuperação gradual no desempenho das operações ao longo do ano. No entanto, as delações dos controladores da JBS contra o presidente Michel Temer em 17 de maio e seus desdobramentos começaram a pesar sobre o ânimo dos consumidores. Ainda assim, na bolsa as ações seguem sua trajetória de valorização.

O indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio apontou uma queda de vendas de 2,3% em maio e de 2,1% em junho para o varejo de vestuário, após alta de 2% em abril, em relação a iguais períodos do ano passado.

O Iflux - índice que mede a atividade comercial em shoppings desenvolvido pelo Ibope Inteligência e pela Mais Fluxo, mostra, em maio e junho, uma estabilização no número de pessoas que visitam shoppings. Os 517 shoppings brasileiros receberam 286 milhões de visitas em junho, o que representou uma variação positiva de 0,02% em relação a junho de 2016. Em maio, o aumento foi de 0,1% - uma desaceleração importante em relação ao crescimento de 3,4% registrado em abril.

Na avaliação dos analistas do Ibope Inteligência, essa piora é reflexo do cenário político, somado ao quadro de desemprego ainda alto no país.

Edmundo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTex), considera que a crise política começou a afetar mais o consumo a partir do fim de maio.

"A crise política mais forte envolvendo o governo Temer tem afetado o desempenho do varejo. O setor vinha bem no início do ano. O Dia das Mães teve um resultado positivo, mas o Dia dos Namorados já não foi tão bom. As empresas agora esperam que o frio dure mais tempo para que haja um estímulo às vendas", afirmou Lima. A Abvtex  reúne as principais redes de moda do país, como C&A, Forever 21, Cia. Hering, Marisa, Inbrands, Renner, Restoque, Riachuelo e Zara (Inditex).

Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), considera que a crise política pode se estender até o fim do ano, o que complicaria a perspectiva de recuperação do setor.

"Acho que até às eleições de 2018 não vamos ter sossego. Talvez uma das poucas certezas existentes é que não vamos ter um ambiente previsível nos próximos 12 a 16 meses. Há sinais de recuperação no nosso setor, com aumento na produção e geração de emprego. Mas são incrementos ainda pequenos, precisam durar mais meses para termos uma visão  melhor do futuro", afirmou Pimentel.

Por enquanto, segundo ele, o setor mantém a projeção para o ano de crescimento de 1% a 2% na produção e de 2% a 3% no varejo têxtil e de vestuário. "Mas se o risco aumentar no quadro político, vamos reavaliar as projeções", afirmou. De janeiro a maio, a produção do setor cresceu 6,6%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A geração de emprego até abril foi de 3.242 vagas, ante fechamento de 633 postos no mesmo período de 2016.

O comércio de tecidos, vestuário e calçados acumula alta de 6% no período de janeiro a maio, segundo o IBGE. Na B3, as ações mantêm suas trajetórias, a despeito da crise política.

Fonte: Valor Econômico

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